2 • Cadê o dinheiro?


Engraçado?!Até  chega a ser... Mas a caminhada real, e à vera mesmo, no inicio dos anos 90 fui intimado a Servir o Exército num estilo meio "relâmpago", acho que fui o pior soldado que um quartel poderia ter. Na minha sessão tinha um general beberrão e linha dura, chamado Braga ele um dia me falou que acreditava na minha carreira como soldado e eu acreditando que ele estivesse com Caô, Saí de lá por um pequeno motivo: Nunca gostei de receber ordem! E como sempre fui atrapalhado, nunca liguei para as missões e sempre que podia sumia pra sair daquele sufoco.
Um dia chapei de tanto tomando suco (pó da morte) com pinga e dormi no plantão do Ministério estava de serviço usando aquela parafernália toda capacete, fuzil e tudo que eu mais odiava. Aí foi o ponto final... Quase fui expulso, me afastaram e pediram minha baixa para minha real alegria hehe, Para minha família contei (e contava até hoje) que fui dispensado porque o quartel estava lotado e por com o cão de ser magro demais (o que nunca foi mentira).
O que me restava a essa altura do campeonato era arrumar um trabalho rapidamente ou então fazer um som que me levaria ao topo do RAP NACIONAL. Não consegui o trampo e nem fiz o som, mas um dia surgiu o DJ Raffa com uma história desta de produtores e cientista maluco: Ele conhecia um cara que queria um parceiro pra cantar... Uma pessoa assim no meu estilo. Eu nem quis saber quem era, fui logo aceitando. Marcamos, o cara e eu, num local chamado CONIC (onde tem lojas de rap, roupas, álcool, prostituição e afins). Quando cheguei lá vi um maluco todo estiloso, bem arrumado... Resolvi perguntar: Cara, você não tem um grupo de rap chamado NATIONAL RAP ? Ele me disse que já tinha feito parte do grupo, mas que tinha feito outros trabalhos solo e até dividiu um LP com outro cara chamado ZEUXIS e que agora estava atrás de outra pessoa pra fazer parceria formando um grupo. Eu topei na hora! Percebendo minha falta de educação e agonia, perguntei o nome do meu novo parceiro de palco e ele, sorrindo disse: "Genival Oliveira Gonçalves, mas pode me chamar de GOG!"
Foi aí  que a ficha caiu...
Ralei pra mostrar serviço e ele me dando alguns toques, sai registrando os nomes das cidades satélites aqui de Brasília sem entender nada, fiz a lista, entreguei e rapidamente ele juntou com as que ele tinha e em pouco tempo quase mágico, me mostrou a letra de BRASÍLIA PERIFERIA.
Eu fiquei doido... Pensei comigo: Fiquei rico!!! Esse cara é bom mesmo!!!
Encarei a parada e fiquei na contenção, de apoio, formando o time... Toda hora o maluco mostrava uma letra melhor que a outra, parecia uma máquina de fazer rap, assim eu ficava imaginando: É "cumpadi", meu sonho de reconhecimento e riqueza tá aumentando. Afinal, eu acompanhei as gravações, gravei meia voz... e toquei o bonde.
Lembro-me que só tinha fera na produção do LP, eram DJ Raffa, DJ Ninomix, Ariel Feitosa e mais um monte de colaboradores, músicos e xeretas.
Resolvi me empenhar e quando me dei conta estava em alguns palcos de Brasília, ainda poucos palcos, mas estava!
As coisas eram tão engraçadas pra mim... Um dia precisávamos fazer as fotos pra capa do CD e eu sem dinheiro pra cortar o cabelo. Sempre escorava na minha mãe e eu a imaginava pensando, pois nunca vi uma mulher tão desconfiada com tudo e com todos: "O que esse menino tá aprontando?!". Até porque eu nunca fui de dar mole pro azar...
Gravamos, tiramos as fotos e lembro que ainda usei uma touca, emprestada do GOG, com o nome dele ( aliás está touca me rendeu fama de GOG por muito tempo). Foi tudo perfeito e lançamos o terceiro trabalho dele e o meu primeiro... DIA-A-DIA DA PERIFERIA.
O sucesso veio logo... Mas o dinheiro? Bom, isso a gente deixa pra outra história bem à frente! Rs.

Japão-Viela 17 

Coladoração : Fernanda Moraes.